segunda-feira, 15 de novembro de 2010

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MARXISMO CIENTÍFICO

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MARXISMO CIENTÍFICO
José do Egito Negreiros Pereira

O marxismo, idéias doutrinadas pelo pensador alemão Karl Marx (1818-1883), durante o século XIX, e que teve seu auge ao longo do século XX, por intermédio de seus seguidores (Lenin, Althusser, Eric Hobsbawm, Florestan Fernandes, entre outros), distingui-se das demais filosofias da história por ser um pensamento voltado para a práxis/prática, com a intenção de transformar a realidade. Afinal, Marx filosofava pretendendo mudar o mundo. “Tudo que é sólido se desmancha no ar”, portanto, nada dura para sempre, dizia.
O pensamento de Marx tinha por objetivo levar a humanidade ao comunismo, uma sociedade sem classes. Isto acontecia pelo fato de Marx não aceitar a exploração vertiginosa da ascendente sociedade burguesa e industrial em detrimento do proletariado. Amparado sob o método dialético, difundido naqueles tempos pela filosofia de Hegel, Marx vislumbrava em sua teleologia da história, uma esperança salvacionista para a classe operária: “As estruturas econômicas e sociais mudam”.
Além de filósofo e economista, Marx foi antes de tudo um historiador. Ele pesquisou nossas origens, cujo resultado desse estudo foi o seu “materialismo histórico”. A humanidade é determinada pelas contradições existentes entre os modos de produção, sendo que, tais divergências, provocam a luta de classe; e os fatos econômicos são a causa determinante dos fenômenos históricos e sociais. A História não é a realização da “Idéia”, como pretendia Hegel, e nem tampouco o desenrolar de um plano divino; ela é fruto da ação do homem concreto.
O Marxismo difundiu que durante a antiguidade a Europa presenciou a luta entre amos e escravos; no medievo, senhores feudais contra os servos; e, com a emergência do capitalismo, a luta passou a ser entre burgueses contra os proletários. Portanto, “a luta de classes seria o motor da história”. No entanto, antes de se atingir ao comunismo (uma sociedade sem classes), Marx dizia que era necessário passar-se pelo socialismo, uma espécie de ditadura do proletariado, e para tanto, falava aos trabalhadores por intermédio das “Internacionais”- comícios em que se debatiam o fortalecimento da classe operária. Ele pretendeu organizar os trabalhadores para que a classe operária derrotasse a estrutura capitalista. E, foi por isto que seus comentadores o classificaram como sendo um pensador do socialismo científico para que não fosse confundido com os socialistas utópicos.
Entretanto, por que Marx não foi classificado como um utópico ou romântico? Em primeiro lugar, porque ele construiu uma narrativa da história – um caminhar da humanidade – utilizando-se do método dialético com sua luta de classes; e, em segundo lugar, porque ele organizava os proletários para lutarem por seus objetivos traçados a priori. Quanto aos socialistas utópicos, estes pensavam em transformar o mundo de forma isolada, individual: cada burguês, sensibilizado pelo sofrimento de seus empregados, tenderiam a diminuir a jornada de trabalho, a aumentar os salários, a construir melhores moradias, enfim, buscariam melhorar de qualquer maneira a vida de seus trabalhadores. É interessante observarmos que, do ponto de vista dos utópicos, as mudanças sociais viriam de cima (por intermédio dos ricos), enquanto que para Marx, a revolução que seria social e econômica, deveria começar pela iniciativa operária, portanto, deveria ser uma transformação que começaria de baixo (com os trabalhadores).
Devemos ter o cuidado quando formos classificar a obra de Marx em algum modelo ideológico. E sempre que fizermos alguma classificação, deve-se explicar o porquê de tal escolha, como pretendeu-se aqui, dentro de nossos limites teóricos, em que classificamos o pensamento de Marx como sendo de um Marxismo ou socialismo científico. A unanimidade entre os críticos é que Marx nunca foi interpretado, afinal, os grandes acontecimentos socialistas aconteceram depois de sua morte, e várias foram as deturpações, como as realizadas por Josef Stálin, durante sua ditadura na extinta URSS, atual Rússia.

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